Marcos Aurélio e Ingrid sempre pensaram em adotar. O sentimento que estava guardado ressurgiu quando o terceiro filho biológico do casal completou 18 anos. Certo dia, Marcos e Ingrid se depararam com um cartaz que contava histórias de crianças chamadas “inadotáveis”, crianças que não têm o perfil para adoção. Aquilo serviu de impulso para resgatar o sentimento que já estava guardado há muito tempo.

O casal conheceu cinco crianças que eram irmãs e tinham idade entre 4 e 11 anos de idade (segundo dados do Cadastro Nacional de Adoção, em média, 70% dos casais não aceitam adotar irmãos e apenas 28% aceitam adotar crianças com mais de 4 anos).

No início surgiu a possibilidade de ter uma guarda compartilhada, quando outro casal adota parte dos irmãos com o acordo de terem encontros periódicos. “Existia uma ligação muito grande entre todos os irmãos. Existia um casal de missionários interessado na guarda compartilhada, mas sabíamos que eles não ficariam no Brasil”, explica Ingrid. O casal optou então por apadrinhar durante um tempo todos os irmãos e, em 2014, conseguiram a guarda definitiva das crianças.

A história de Marcos e Ingrid não é comum no Brasil. A adoção não faz parte da cultura do país, muitos casais decidem adotar apenas quando já tentaram todas as alternativas para a gestação. Além disso, o perfil de crianças procuradas não corresponde à maioria das crianças que estão esperando por uma adoção. Existe ainda uma realidade mais alarmante: o número de devoluções ou desistência de crianças, seja durante a guarda provisória, ou depois de muitos anos de convívio. Muitas crianças passam por um “segundo abandono”.

A devolução reflete uma realidade pouco discutida. Quando passa a chamada “fase romântica” da adoção, muitas famílias têm dificuldades em lidar com os conflitos e os problemas que surgem. Muitas crianças já vem com um histórico de violência e abusos e carregam traumas e mágoas que vem à tona quando são adotadas.

Acompanhando situações como essas, a psicopedagoga Ane Beatriz Prohmann decidiu fazer algo para amenizar essa realidade. A inquietação fez com que ela se reunisse com Marcos e Ingrid, e a psicóloga Priscila Sermann, para criar um grupo de apoio para pais adotivos. Assim, em dezembro de 2015, nasceu o Chesed – Pais por Adoção.

“O nome não veio de encontro ao projeto, mas veio de encontro a um sentimento que existia em nosso coração. Quando você fala de Chesed, você está falando de perseverança, compaixão, entrega e de amor Ágape. Essa palavra reflete o que Deus colocou no nosso coração, que é o coração Dele, o coração paterno”, explica Marcos.

O objetivo do Chesed é diminuir o número de desistências, devoluções e aumentar o número de casais que querem adotar. As reuniões acontecem todas as terças-feiras com um tema norteador. Os pais conversam sobre as aflições e dificuldades e compartilham as experiências do dia a dia.

A psicóloga Priscila Sermann explica que existem muitas dificuldades compartilhadas, uma delas é que a experiência e a história de vida dos filhos são muito diferentes dos pais. “É um reaprender a olhar. É preciso entender o passado da criança ou do adolescente e aceitar a influência que ele traz, sabendo como lidar com o presente e o futuro”.

O Chesed já tem feito a diferença na vida dos pais que participam. Marcos e Ingrid explicam que pais que adotam sentem-se sozinhos, sem ter com quem compartilhar as dificuldades “existe uma certa negação ao assunto adoção por parte das pessoas”, explica o casal. Mas, apesar de todos os desafios, o casal compartilha o sentimento de gratidão “Deus nos deu oportunidade de mudar a história de cinco pessoas. A forma que Deus nos dá de alcançar pessoas é através de pessoas, e essa é uma das formas mais intensas de viver isso”.

A psicopedagoga Ane Beatriz conta que o Chesed existe para ouvir e para abraçar todos os pais. Para Ane, o conselho é “Amar incondicionalmente”.

Quer conhecer o Chesed?           

Encontros: Terças-feiras, 19h
Clínica Reintegrar – Rua Dom Pedro I, 221, Água Verde – Curitiba (PR)

Facebook: @chesed.paisporadocao

ENDEREÇO

R. Amazonas de Souza

Azevedo, 134 Bacacheri,

82520-620, Curitiba - PR

 

Telefone: (41) 3363-0327

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