Por Emanuele Oliveira Solyom

Quando criança, você já deve ter ouvido a fábula da formiga e da cigarra. Essa história pode nos ensinar algumas lições:

A cigarra, sem pensar em guardar, a cantar passou o verão.
Eis que chega o inverno, e então, sem provisão na despensa, como saída, ela pensa em recorrer a uma amiga: sua vizinha, a formiga, pedindo a ela, emprestado, algum grão, qualquer bocado, até o bom tempo voltar.
“Antes de agosto chegar, pode estar certa a senhora: pago com juros, sem mora.”
Obsequiosa, certamente, a formiga não seria.
“Que fizeste até outro dia?” perguntou à imprevidente.
“Eu cantava, sim, senhora, noite e dia, sem tristeza.”
“Tu cantavas? Que beleza! Muito bem: pois dança agora…”
LA FONTAINE, J. de. Fábulas de La Fontaine.

 Existem pessoas que vivem como as cigarras.

Elas têm um padrão de vida mais alto do que poderiam comportar e tornam-se mais vulneráveis aos ciclos econômicos. Desesperam-se porque não estão preparadas para um gasto extra com algum problema de saúde, um conserto de carro, ou com a troca de um eletrodoméstico que estraga. Isso sem falar que não fazem nenhum investimento que garanta uma maior tranquilidade na velhice.

O “jeitinho” faz com que acredite na capacidade de improvisação, de sair-se bem sem ter planejado nada. Além disso, as cigarras acabam perdendo intimidade com Deus pelo conflito financeiro e perdendo a oportunidade de poder contribuir na manutenção e expansão da obra dEle.

Outras pessoas são como as formigas,

Elas têm consciência de que a primavera e o verão são o tempo de fartura, mas também de trabalho duro, tempo de poupar e de abastecer seus estoques de alimentos para os momentos difíceis. Já no outono e no inverno, elas descansam e se alimentam do trabalho que realizaram na primavera e no verão. Elas não se desesperam porque sabem que estas estações fazem parte do ciclo natural. Oportunidades surgem para quem planeja, organiza, poupa e investe, em momentos de crise e pós-crise.

Existe falta de equilíbrio

Percebemos uma falta de equilíbrio tanto na formiga quanto na cigarra. Fica a impressão que quem trabalha e planeja, carrega um fardo com amargura e quem tem vida louca é feliz. A formiga provavelmente usufruiu do canto da cigarra enquanto trabalhava e já tinha percebido que a cigarra iria passar dificuldade no inverno. Não teve compaixão pela cigarra e, além disso, foi vingativa na recusa a ajudar.

Já a cigarra, apesar de toda a felicidade em cantar de dia e de noite, comer as folhinhas que eram abundantes na primavera e verão, provavelmente achava a formiga tola de ficar só trabalhando e não acreditava que iria acontecer algo com ela. Só que quando começou a sentir dificuldades, resolveu pedir empréstimo a juros à formiga.

Na nossa vida, acontece o mesmo com a falta de equilíbrio e sabedoria dos cristãos que estão se tornando pobres e doentes. No ritmo de vida que temos e pelo acúmulo de diversas funções, não encontramos tempo nem disposição para refletir sobre aquilo que de fato traz significado para nossa vida. Fazemos tudo no “piloto automático”, mesmo sentindo cansaço, indisposição e desmotivação, que com o tempo vai evoluindo para depressão, síndrome do pânico, problemas estomacais, impulsos de consumo, dívidas, dentre outras.

Vamos batalhando para cada vez ganhar mais, só que a euforia da conquista é passageira e traiçoeira, conquistar mais coisas só nos deixa ainda mais engessados e escravos do trabalho, no círculo vicioso do ganha e gasta.

E qual a verdadeira moral da história?

Deixar de seguir um caminho não é abandoná-lo, e retroceder não é sinal de fracasso. É apenas fazer uma escolha por aquilo, pois naquele momento pode nos fazer mais feliz, ou principalmente, pode nos dar maior segurança e paz.

Eu acredito que a força das formigas não está só em guardar os mantimentos para os momentos difíceis, está também no coletivo, porque elas são insetos sociais que vivem em uma comunidade onde uma depende da outra, protegem-se mutuamente porque sabem que somente juntas terão chances de sobreviver ao inverno. Os cristãos, como boas formigas devem se ajudar, se apoiar e se proteger, bem como se unir para a realização de pequenas e grandes obras.

Também devemos aprender com a cigarra, a celebrar o presente, vivendo um dia de cada vez, tendo prazer e alegria nas pequenas coisas da vida, não desprezando os pequenos recomeços. O trabalho não pode ser um fardo, tem que haver vocação e prazer em trabalhar, bem como usufruir do dinheiro que é fruto desse trabalho. Além disso, temos também que fazer diferença no local que trabalhamos e na vida das pessoas que temos oportunidade de conhecer, dar um bom testemunho, ser sal e luz.

Um bom planejamento nos dará mais confiança para viver o presente sem esquecer o futuro, amortecendo as possíveis quedas que poderemos ter ao longo do percurso. Deus jamais nos tira o direito ao lazer, mas espera que sejamos bons administradores do tempo, dos bens, dos dons e dos demais recursos de que dispomos, exercendo a verdadeira mordomia cristã, não só do dinheiro, mas de tudo na nossa vida.

E para você, o mais importante é o que você fez até outro dia? Ou o que vai fazer daqui para frente? O Deus que faz grandes coisas é o mesmo Deus dos pequenos recomeços.

ENDEREÇO

R. Amazonas de Souza

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