Por Eduardo Arantes

Recentemente tive a oportunidade de visitar uma “igreja” que há algum tempo não visitava, e para minha surpresa e decepção, facilmente percebi que esta igreja apresentava toda a aparência de seriedade, santidade e práticas bíblicas, mas que na verdade estava muito longe daquilo que Jesus ensinou, e que os discípulos e pais da igreja instruíram no passado.

Logo de início percebi um ar de arrogância, como se aquilo que estava sendo pregado fosse a mais pura verdade e que opiniões diferentes não passavam de palavras ao vento. Parecia que o responsável sabia do que estava falando, mas a soberba e os achismos em nada se assemelhavam com a sã doutrina abordada nas Escrituras, e este comportamento não edificava aqueles que o ouviam.

Por falar nas Escrituras, também notei que existia uma preocupação excessiva em apresentar às pessoas o conhecimento técnico da Palavra de Deus. As frases prontas e citações de comentaristas bíblicos e estudiosos, em seus mais diversos conceitos, passavam a impressão de que a busca por conhecimento era algo natural, mas ao ouvi-lo mais de uma vez percebi que a repetição era algo corriqueiro e usual.

Outra coisa que me assustou: a quantidade de eventos que esta igreja promovia e frequentava. A agenda era tão repleta de atividades que já não sobrava tempo para cuidar dos órfãos e viúvas, nem de visitar os enfermos e tão pouco as famílias enlutadas ou em crise.

As reuniões, os treinamentos, a prestação de contas, não podem em hipótese alguma deixar de acontecer, mas também não devem tomar o lugar dos encontros onde se podem aplicar os diversos mandamentos de mutualidade. Acolher, aconselhar, ensinar, exortar, cuidar, discipular, e amar, não podem ser atividades negligenciadas pela falta de tempo, mas sim o alicerce do relacionamento com Deus e com o próximo.

Outras práticas também poderiam ser citadas e abordadas e certamente revelariam desvios de conduta e falta de foco, mas a intenção não é simplesmente criticar o que não está funcionando ou apontar o que tem sido deixado de lado, mas sim, uma vez que percebida a falta da direção e de sentido tanto no discurso quanto na prática, mudar o proceder para que Cristo e os ensinamentos bíblicos voltem a ser a razão de ser desta igreja.

Pois como meu pastor me ensinou, apontar os pecados é fácil, agora apresentar possibilidades para a mudança de comportamento através da busca e do relacionamento com Jesus é que é o cerne de todo bom sermão.

Pois bem, esta igreja sou eu!

E como foi doloroso perceber todas estas coisas, como foi conflitante aceitar que eu vivo exigindo de pessoas e instituições características e virtudes que não possuo e que não tenho buscado desenvolver. Como foi desconcertante perceber que minhas atitudes em nada se assemelham, como por exemplo, com o amor pregado por Paulo e sua luta contra uma fé barata.

Como igreja, templo do Espírito Santo, corpo de Cristo espalhado pelo mundo, percebo que o próprio Espírito me permitiu e me orientou nesta reflexão, para que através de renúncias ao que não é prioritário e pela busca incessante do aprimoramento de meu caráter, através da oração e do estudo da Palavra, possa um dia, me apresentar diante de Deus, como obreiro que não tem do que se envergonhar.

Que tipo de igreja temos sido?