Por Pr. Marcos Calixto,  Presidente na empresa Caeb – Centro De Apoio Ao Estrangeiros No Brasil

John Scott parafraseia essa bem-aventurança, dizendo: “Felizes são os infelizes”. A princípio, nos perguntamos como isso é possível? Será que o autor entendeu bem o que Jesus quis ensinar? Acredito que entendeu perfeitamente, pois o verso tem a ver com a realidade do estado espiritual do arrependido e do coração quebrantado.

Pode ser um paradoxo dizer que feliz é aquele que está infeliz, mas a ideia é da pessoa que tem seu coração impactado pela consciência do seu estado de alma, de sua dependência de Deus, da necessidade da Sua Graça e Misericórdia. Tem a ver com o pedido de socorro de um coração que chora pelo seu estado de alma e vida esperando respostas, esperando libertação, esperando salvação, esperando o próprio consolo.

O chorar pode ser motivado pela perda de um ente querido, o que levou a pessoa a momentos de lágrimas, mas na mesma intensidade, o texto ensina sobre o choro como resultado de um estado de tristeza pela consciência da “perda da inocência, de sua justiça, de seu respeito próprio”, enfim, do seu estado de separação da comunhão diante de Deus. Posso ser simplesmente pobre de espírito por reconhecer meu estado, mas não posso ter cura se não tenho a tristeza do arrependimento que me leva à confissão e à espera do consolo como resposta para alma.

Temos que admitir que, em certo sentido, a ausência de lágrimas verdadeiras de arrependimento tem produzido vidas desconsoladas e sem direção; o que acredito estar ligado com a ausência de temor diante de Deus frente ao estado de vida que estamos vivendo. Temos de pensar também nas lágrimas sinceras de intercessão e clamor por aqueles que estão longe de Deus e precisam ser quebrantados pelo Seu Poder e, arrependidos, encontrarem a resposta verdadeira para suas almas.

Além desse sentimento que é pessoal e sincero, ele também é abrangente quando se depara com o estado dos outros e do próprio mundo – um manifestar do estado pesaroso das pessoas e do mundo (Ryle). Acredito que precisamos clamar para que nas nossas vidas retorne o espírito de temor diante de Deus, que produz esse quebrantamento sincero diante dele.

O pastor Israel B.Azevedo, em um dos seus comentários sobre esse texto, diz com muita clareza: “O David de Betseba é nossa realidade e o Davi diante do profeta Natan é nossa possibilidade de livramento”. Quando David aceita a palavra profética a respeito de seu erro, ora com arrependimento: “Pois eu mesmo reconheço as minhas transgressões, e o meu pecado sempre me persegue. Contra ti, só contra ti pequei e fiz o que tu reprovas, de modo que justa é a tua sentença e tens razão em condenar” (Salmos 51.1-3).

O consolo certamente virá na forma de salvação, de cura, de livramento, de restauração, de comunhão e de paz. O consolo de Deus vem na forma de amor, pois ele mostra que há resposta diante da lágrima sincera e de que há graça diante de um coração quebrantado sensível à mudança que Ele pode realizar. A bênção final disso tudo é que, além de sermos consolados, ele nos coloca como instrumentos de consolação na vida daqueles que estão em lágrimas (Romanos 12.15).

Precisamos perguntar a nós mesmos: Temos chegado à presença de Deus em contrição, arrependimento, lágrimas, confissão e temor? Por outro lado, se não o fizermos, não seria esse o motivo de estarmos estagnados em nossa vida espiritual, longe de Deus e de seu consolo?

Que sejamos impactados com a palavra profética de Deus que nos mostra o caminho que estamos trilhando e se esse caminho é de morte, que sejamos todos quebrantados pelo seu poder e em lágrimas de verdadeiro arrependimento, confessemos para receber consolo. Deus seja glorificado!