Por Marcos Paulo Ferreira

Quando penso em virtudes que dão testemunho de um verdadeiro discípulo de Jesus, a generosidade aparece entre as primeiras de uma lista. Creio que essa qualidade engloba muitas outras, como o desapego, a compaixão, o amor fraterno, a justiça, a tolerância, a amizade e muito mais.

A Palavra de Deus discorre sobre viver o princípio da generosidade nos capítulos 8 e 9 de II Coríntios. O texto é um estímulo do apóstolo Paulo ao envolvimento dos Coríntios com a contribuição, considerada como uma graça de Deus. Depois de uma exposição profunda sobre esse princípio, o assunto é fechado com a seguinte expressão: graças a Deus por seu dom indescritível! (II Coríntios 9.15).

Por que esse princípio é posto como um dom indescritível? Indescritível é algo que está além das palavras e em outras versões bíblicas é traduzido por inefável, algo indizível e sublime. Creio que a generosidade está nessa categoria do inefável porque ela não acontece por mandamentos, mas floresce por transbordamentos.

A própria raiz da palavra generosidade vem do latim, generare, que significa gerar, produzir, frutificar. O generoso é aquele que está sempre a gerar boas obras e a produzir frutos bons. Por sua vez, o avarento nada gera, pois possui uma alma estéril. O avarento não possui frutos de generosidade, porque a raiz do seu coração está sem vida e a seiva do amor secou.

A generosidade nasce de dentro para fora e é por isso que o apóstolo Paulo considera no capítulo 8 de II Coríntios que a contribuição na obra do Senhor é favor que nenhum de nós merece, é graça. É semente de amor plantada pelo próprio Deus que somente depois de experimentá-la somos capazes de transbordar.

Jesus disse que aquele que “crer nele… do seu interior fluirão rios de água viva” (João 7.38). A mais profunda expressão de generosidade para conosco foi a salvação dada por Deus ao entregar seu filho para morrer na cruz por nós (João 3.16).

Somente quando experimentamos a profundidade dessa generosidade do Pai Celestial e quando percebemos o significado do que ocorreu na cruz, quando “nosso Senhor Jesus Cristo que, sendo rico, se fez pobre por amor” (II Coríntios 8.9) é que essa semente do amor começa a frutificar dentro de cada um de nós.

Após sermos crucificados com Ele, é que passamos do patamar de um simples dizimista por obediência para um adorador generoso com uma disposição interior de ser semente na obra de Deus para brotar, crescer e multiplicar. Começamos a viver o chamado de Abraão: “Farei de você um grande povo, e o abençoarei… por meio de você todos os povos da terra serão abençoados” (Gênesis 12.2-4).