Por L. Roberto Silvado

O Salmo 42, “Como a corça anseia por águas correntes, a minha alma anseia por ti, ó Deus. A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo. Quando poderei entrar para apresentar-me a Deus?” (v.1,2), era um dos textos prediletos dos cristãos primitivos.

Estudos arqueológicos, feitos nas catacumbas usadas pelos cristãos do primeiro século, revelaram vários desenhos de corças nas paredes.

O salmista está longe da sua terra, longe do Templo onde Deus habitava e por causa disso estava desanimado, triste e abatido. Quantas vezes sentimo-nos assim, esquecidos de Deus, separados da Sua graça e da proteção da Sua forte mão.

O sentimento do nosso coração é: Deus se esqueceu de mim! Com estes conflitos no coração, o salmista apresenta-se ao seu Deus.

Assim é a vida de quem tem intimidade com o Deus vivo! A certeza do seu coração é que o mesmo Deus que falou tantas vezes no passado, ainda falará! As experiências anteriores com o seu Deus, são a sua garantia!

Como poderia Jacó esquecer o seu Betel? Moisés esquecer o mar abrindo, o Monte Sinai e as tábuas da lei? Paulo esquecer o caminho de Damasco? Você esquecer o dia da sua conversão?

Foi esta a decisão do salmista no meio da crise pessoal – olhar para o seu passado com Deus.

As lembranças produzem um nascer do sol na alma do salmista, envolta até então na negra noite da angústia. Inspire-se no passado e olhe para o futuro com confiança! “Ponha a sua esperança em Deus! Pois ainda o louvarei; ele é o meu Salvador e o meu Deus” (v.11b). Dê um grito de fé!!!

Foi esta certeza que iluminou a alma do compositor do Hino “Mas Eu Sei em Quem Tenho Crido” (447 HCC): Não sei o que de mal ou bem é destinado a mim, se bons ou tristes dias vêm até da vida o fim. Mas eu sei em quem tenho crido e estou seguro que é poderoso pra guardar bem o meu tesouro até o dia final.

Quem começa com o reconhecimento da fraqueza pessoal e da necessidade de Deus, pode dar o grito de fé de quem deixa de lado as suas dificuldades, emoções, dúvidas e passa a olhar para o alto, para o autor e consumador da nossa fé, para o Deus que permanece para sempre.

O apóstolo Paulo fala sobre esta certeza: “De todos os lados somos pressionados, mas não desanimados; ficamos perplexos, mas não desesperados; somos perseguidos, mas não abandonados; abatidos, mas não destruídos” (2 Coríntios 4.8,9).

Pela fé exclame como o salmista: “Por que você está assim tão triste, ó minha alma? Por que está assim tão perturbada dentro de mim? Ponha a sua esperança em Deus! Pois ainda o louvarei; ele é o meu salvador e o meu Deus” (v.11).

O segredo da vitória? “A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo” (v.2a). Busque a presença de Deus, cultive intimidade com o Deus vivo para matar a sede da alma e renovar a esperança de um futuro melhor.

A certeza do seu coração é que o mesmo Deus que falou tantas vezes no passado, ainda falará!