Por L. Roberto Silvado

Fui procurado por um casal que estava decidido a divorciar-se. Após algum tempo de conversa ficou claro que ainda existia muito respeito e amor entre eles. Eles estavam muito cansados de todas as tentativas frustradas para construir um lar e particularmente por não se sentirem amados um pelo outro.

Conversando um pouco mais descobri que os dois haviam crescido em lares onde não aprenderam a amar e ser amados. Seus pais amavam, mas condicionalmente: se arrumasse a cama, lavasse a louça, tirasse boas notas, obedecesse, etc. Certamente papai/mamãe “não gosta mais de você” se tirar nota baixa, bater na irmãzinha, falar palavrão, etc.

Estes códigos ficaram gravados na mente e coração daqueles agora adultos que tinham muita dificuldade de amar e ser amado sem colocar condições.

Como ter certeza de que serei amado se contar que eu fiz ou não fiz? Vou esconder!

Não posso dizer o que sinto, pois ela não vai me aceitar se fizer isto.

Precisamos ser libertos do amor condicional que a nossa humanidade nos impõe e experimentar o amor incondicional de Deus. “Nós amamos porque Ele nos amou primeiro”. O amor de Deus não depende de quem nós somos, mas de quem Ele é.

Quando permitimos que Deus derrame do Seu amor em nossas vidas, Ele nos capacita a amar verdadeiramente. Por isso Jesus nos desafiou: “Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todo o seu entendimento”. Você ama a Deus?

Quem ama a Deus ama a si mesmo. Nós podemos viver com uma autoestima adequada porque somos amados pelo Deus Criador de todas as coisas. Uma pessoa saudável ama a si mesma. Não é errado desejar o melhor para si. É errado desejar e buscar o melhor para si passando por cima do próximo, destruindo as pessoas ao redor.

O amor que sentimos por nós mesmos deve ser o parâmetro para o relacionamento com os familiares, colegas de trabalho e desconhecidos que encontramos na rua. Você ama a si mesmo? Vê a imagem de Deus em você?

Jesus nos desafia a expressar o amor por nós mesmos com ações concretas de amor pelo próximo. Ele diz: “Ame o seu próximo como a si mesmo”. Quando amamos a nós mesmos, com facilidade olhamos com empatia para o próximo e percebemos como gostaríamos de ser amados naquele momento.

Você consegue amar o seu próximo? Você permite que alguém o trate como próximo?

Estamos falando de três dimensões básicas da existência humana – o relacionamento vertical com Deus, a fonte de todo o amor; o relacionamento com o nosso interior que fortalece uma identidade saudável; e o relacionamento horizontal com o nosso próximo que transforma a realidade ao nosso redor.

Todos estes relacionamentos devem estar encharcados com o amor de Deus para serem significativos e abençoadores.

Você pode fazer esta oração hoje?

Meu Pai Celeste,
Eu quero ser amado pelo Senhor como nunca fui antes.
Perdão por ter fechado meu coração tantas vezes para o Seu amor.
Ensina-me a amar a mim mesmo para que eu possa de fato amar ao meu próximo.
Em nome de Jesus. Amém.