Por Marcos Paulo Ferreira

O romancista russo Fiodor Dostoieviski escreveu: “há no homem um vazio do tamanho de Deus”. Não somente Dostoieviski, mas outros pensadores e a psicologia já constataram que o ser humano é um ser faltante que naturalmente procura preenchimento no hedonismo (todas as formas de prazer), no ativismo (a necessidade do fazer constante), no consumismo, nas ideologias e nas religiões para a invenção de um significado para a vida.

Esse é um fato que não necessita de comprovação pelas ciências humanas, pois trata-se de um mal vivenciado e constatado em cada um de nós, no dia a dia. A religião é um meio honesto, mas incapaz de preencher esse vazio.

Infelizmente, muitos se aproveitaram dessa necessidade humana para usar a religião como forma de exploração e domínio de outros. A idade média se caracterizou por essa realidade, em que uma religião explorava e oprimia as pessoas vendendo meios de preenchimento do vazio, mas que, no fundo, geravam ainda mais culpa e sofrimento.

Foi nesse contexto que Lutero, na angústia por busca de sentido, descobriu nas Sagradas Escrituras que “a justiça de Deus é revelada de fé em fé, como está escrito: o justo viverá pela fé”. Lutero teve a clareza revelada pela Bíblia de que o ser humano vive pela fé e é justificado por ela e não por aquilo que faz para si mesmo.

O homem não é justificado por adoração de relíquias, pelo canto nas missas, por peregrinações a Roma ou por compra do perdão pelos seus pecados, mas pela fé naquilo que Deus já fez por ele através de seu Filho, Jesus Cristo.

No filme sobre Lutero de 1953, existe um diálogo que chamou minha atenção. Após Lutero pedir para que o Vigário lesse Romanos 1.17, o Vigário responde:  “Dr. Martin, se você deixar o cristão viver só pela fé, se você acabar com essas boas obras, o que colocará em seu lugar?” Lutero respira profundamente e logo responde: “Cristo, o homem só precisa de Jesus Cristo”. Solus Christus!

Somos suscetíveis a perder o foco, a ignorarmos Jesus Cristo e nos afundarmos na busca por sentido nos tesouros desse mundo: dinheiro, bens, fama, estudos, trabalho excessivo, preguiça, endeusamento da família, sexo, droga e tantas outras maneiras que pretendem substituir a presença de Cristo em nós.

Podemos até transformar a fé em religião fria que nos torna opressores ou oprimidos tentando fazer coisas que “agradam a Deus” para obtermos os favores dele para nós. A questão é: como temos lidado com nosso vazio interior?

A Bíblia nos revela que somente Cristo em nós traz a esperança da glória e nos apresenta plenos, completos nEle mesmo, Jesus Cristo (Colossenses 1.27). Por isso reafirme hoje: Solus Christus!