Por Pr. Marcos Paulo Ferreira

Da multidão dos que creram
Era só um o coração e a alma,
Uma só mente, uma semente,
Somente uma esperança brotando
dentro da gente.
Nosso era o pão cada dia, nosso era o vinho, santa folia,
O que se parte e reparte, a própria vida,
Galho ligado à parreira,
vida em comum, verdadeira.
Sempre grande poder: curas,
milagres de Deus.
Sempre proclamação!
Cristo, o Senhor, ressurgiu!
Da multidão dos que creram
Era só um o coração e a alma,
Muita alegria, singela a vida,
Na simpatia de todos,
nasce a Igreja de novo
Povo de Deus, sal e luz
pra todos os povos.

Essa poesia de Guilherme Kerr revela o seio da igreja primitiva e é a resposta da oração de Jesus narrada no evangelho de João, capítulo 17. Quando Jesus se coloca diante do Pai em clamor pelos seus discípulos, o desejo de unidade se torna explícito e Ele deixa claro qual era o seu propósito: “que o mundo creia que tu me enviaste” (João 17.21). A experiência dos primeiros discípulos refletia isso, pois “tinham a simpatia de todo povo” e o “Senhor lhes acrescentava todos os dias os que iam sendo salvos” (Atos 2.42-47).

A unidade não acontece pela força do homem, mas é fruto de amor e tolerância alimentados por “somente uma esperança brotando dentro da gente”. Muitas vezes, corremos atrás de cura, milagres, doutrinas e filosofias cristãs, mas não fazemos o mínimo de esforço para ser a resposta à oração de Jesus, buscando a unidade.

Jesus não deu um método ou postulou uma unidade oficial ou institucional. Ele apresentou um caminho, que é o do amor em exercício, com todas as suas implicações. O novo mandamento que não está fundamentado no subjetivismo do amor próprio, mas no próprio Cristo e seu amor sacrificial demonstrado na cruz. Ele disse: “Como eu os amei, vocês devem amar-se uns aos outros” (João 13.34).

A unidade é um milagre do Espírito Santo em nós, que nasce da nossa entrega total a Jesus, fazendo-nos servos como ele. Tinha e tem a ver apenas com aquilo que Ele pediu ao Pai: “Eu neles; tu em mim; Eles em nós; para que sejam aperfeiçoados na unidade”. Quem vive com Ele e nEle não vive a experiência de somente boas amizades, confrarias e clubes, mas vive a experiência do servir e ser servido.

A base está na entrega e não em acordos de opiniões. Se o outro com quem me relaciono conhece o Senhor, a unidade acontece naturalmente, porém, se o outro não conhece o Senhor, será mesmo assim e, sobretudo, servido, pois o servir está baseado no amor.

Você está disposto a ser igreja, a ser discípulo que busca a unidade para amar e frutificar?